🌦️️ CLIMA E SAFRA: A atenção se volta para o desenvolvimento da safra 25/26 na América do Sul, que enfrenta um cenário climático desafiador. Modelos climáticos apontam mais de 70% de chance de La Niña entre outubro e dezembro, fenômeno que historicamente impacta o regime de chuvas na região. No curto prazo, a situação é ainda mais crítica, com previsões de déficit de chuvas para o Centro-Oeste, norte de Minas e oeste da Bahia, somadas a temperaturas extremas de 38°C a 40°C em Goiás, Mato Grosso e Tocantins, elevando o risco de estresse térmico e hídrico para as lavouras em fase inicial.
🚢 FARM SELLING: A comercialização brasileira está sob pressão devido a uma complexa dinâmica de oferta e demanda. Embora a China precise cobrir uma demanda remanescente de 10 a 11 milhões de toneladas para o período de novembro a janeiro, o aumento das vendas por parte dos produtores brasileiros e a forte concorrência da Argentina estão limitando a alta dos preços. A situação é agravada pelas margens de esmagamento chinesas, que estão próximas de zero ou negativas, forçando os compradores a negociarem preços mais baixos e resultando em cotações de derivados em mínimas na Bolsa de Dalian.
💵 CENÁRIO INTERNACIONAL: O mercado macroeconômico global pode trazer um suporte aos preços, com foco total no relatório Payroll dos EUA na próxima sexta-feira (03/10). Este dado sobre o mercado de trabalho será decisivo para a política de juros do Fed, com o mercado já precificando uma probabilidade de 88% de um novo corte de 0,25 p.p. na reunião de 29 de outubro. Uma confirmação deste cenário tende a enfraquecer o dólar globalmente, o que historicamente beneficia os preços das commodities cotadas na moeda americana, como a soja.
🚢 COMERCIALIZAÇÃO BRASIL: O mercado interno de milho deve permanecer estável, impactado pela baixa adesão do produtor, que comercializa apenas entre 1% e 1,5% por semana. O custo elevado do frete rodoviário desestimula as vendas e praticamente inviabiliza a janela de exportação, pois os preços não conseguem competir com o mercado doméstico.
A demanda interna, liderada por usinas de etanol, é pontual e focada no curto prazo, com negociações no Mato Grosso entre R$ 48,00 e R$ 50,00 por saca e em Goiás ao redor de R$ 56,00 por saca. Este cenário de oferta contida e compra comedida resulta em um mercado com pouca movimentação e preços travados.
🔍 GIRO PELO MERCADO INTERNACIONAL
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Colheita nos EUA: avanço da colheita pode trazer maior volatilidade e movimentos mais drásticos no mercado;
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Liquidez e dados: risco de paralisação do governo nos EUA (impasse político) que pode atrasar dados cruciais — exportações, relatório da CFTC, indicadores do agro e o Payroll de sexta — somado ao feriado na China na quarta, o que tende a reduzir a liquidez;
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Posicionamento dos fundos: segundo a CFTC, fundos estão na maior posição líquida vendida em 12 meses; sem dados atualizados, podem recomprar (short covering), o que pode sustentar os preços de milho e soja na CBOT;
No final das contas, no Brasil, o preço tende a seguir estável ou recuar levemente, diante da fraca atuação do produtor e frete elevado; já em Chicago, pode haver alta pontual, caso a paralisação nos EUA leve fundos a recomprar posições vendidas e reduza a oferta de dados no curto prazo.