
DÓLAR DISPARA APÓS RESULTADO DAS ELEIÇÕES
O câmbio começou a semana como principal fator de influência nos preços da soja. Nesta segunda-feira, o dólar abriu em alta de 8,65%, a R$5,42, e chegou a R$5,60 (+12,25%) antes das 10h, após fechar abaixo de R$5,00 na sexta-feira.
Com o dólar mais valorizado, a soja exportada passa a render mais em reais, ajudando a sustentar os preços nos portos e no interior e aumentando a competitividade do Brasil, maior exportador mundial de soja. A expectativa é de fortes oscilações nos próximos dias.
CHICAGO ENTRE A COLHEITA E AS COMPRAS DA CHINA
Na Bolsa de Chicago, a soja segue pressionada pelo avanço da colheita nos EUA, que está praticamente no ritmo da média histórica, segundo o USDA. O tempo seco no Meio-Oeste deve favorecer os trabalhos, com chuvas previstas apenas para o fim de semana e início de novembro.
Por outro lado, as compras frequentes da China, que já cumpriu mais da metade da meta anual anunciada pela Casa Branca, segundo a Reuters, ajudam a limitar as quedas. O USDA divulgará novos dados da colheita nesta segunda-feira (26) e das vendas semanais de exportação na quinta-feira (29).
PLANTIO ACELERADO, CHUVA DE VOLTA E PRÊMIOS ESTÁVEIS
Segundo a Conab, o plantio da soja no Brasil segue à frente do ano passado e da média dos últimos cinco anos, com destaque para Mato Grosso. No estado, o Imea indica que a semeadura pode entrar na reta final ainda nesta semana.
As chuvas previstas para Goiás, Distrito Federal e norte de Mato Grosso devem favorecer o plantio, enquanto o Sul terá tempo mais firme e frio. Nos portos, os prêmios de exportação seguem aparentemente estáveis, com terminais ocupados e o fim da janela de embarques da safra velha.
Segundo o Cepea, a expectativa de uma safra volumosa pressiona os preços para 2027 e mantém os compradores cautelosos. As oscilações do dólar podem provocar novos ajustes nos prêmios ao longo da semana, corrigindo parte das altas recentes.

OFERTA FOLGADA E COMPRADORES CAUTELOSOS NO MERCADO INTERNO
Segundo o Cepea, os preços do milho seguem pressionados no Brasil devido à boa oferta do cereal. Os compradores permanecem cautelosos, com estoques para o curto prazo e atentos ao plantio. Já os produtores estão mais flexíveis nas negociações, seja pela necessidade de fazer caixa ou pelo receio de novas quedas.
Por outro lado, a demanda das usinas de etanol e das fábricas de ração para aves e suínos segue firme e deve continuar crescendo, segundo a Conab, ajudando a sustentar os preços.
DÓLAR ALTO PODE REANIMAR EXPORTAÇÕES E B3
As exportações de milho seguem mais lentas do que no ano passado, com a perda de competitividade nos portos pressionando os preços internos. Com a alta do dólar após as eleições, a exportação brasileira tende a ganhar competitividade, podendo favorecer as cotações nos portos e os contratos na B3, que vinham em queda.
Porém, diante da boa oferta, a recuperação dos preços no interior deve ser mais lenta. Na prática, o milho já começa a semana com alta superior a 3% na B3.
CHICAGO COM POUCO PESO, MAS ATENÇÃO À COLHEITA DOS EUA
Em Chicago, o milho segue pressionado pelo avanço da colheita nos EUA, que ainda está abaixo da média, segundo o USDA, mas deve acelerar com o tempo seco no Meio-Oeste. A demanda externa pelo milho americano aparenta seguir firme, ajudando a limitar quedas maiores.
Para o produtor brasileiro, porém, o dólar e o ritmo de compras da indústria nacional devem influenciar mais os preços nesta semana do que as cotações de Chicago.
🌎 MACROECONOMIA E OPORTUNIDADES
Após as eleições presidenciais, o mercado financeiro brasileiro começou a semana com forte turbulência. O Ibovespa caiu 10% na abertura, acionando o circuit breaker, pausa automática de 30 minutos nas negociações, pela primeira vez desde março de 2020. Na retomada, a queda superou 16%, levando o índice à faixa dos 171 mil pontos.
Os juros futuros também dispararam, com a taxa para 2031 subindo de 12,58% para 14,46% ao ano. Diante do cenário, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos previstos para esta semana. O Boletim Focus, com projeções anteriores à eleição, ainda estimava o dólar a R$5,05 no fim do ano, mostrando a intensidade das mudanças.
Agora, o mercado acompanha os sinais sobre as contas públicas, a formação da equipe econômica e as próximas decisões de juros nos EUA (28/10) e no Brasil (3 e 4/11). Para o produtor rural, o dólar alto pode favorecer os preços da soja e do milho, mas também encarece fertilizantes, defensivos e o crédito atrelado à moeda.
Por isso, acompanhe as cotações na Grão Direto para aproveitar oportunidades de negociação que garantam sua margem.
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