DIRETO DO CAMPO: clima sustenta a soja, mas oferta pesa no milho

CLIMA NOS EUA
Nesta semana, o mercado da soja deve continuar atento ao clima no cinturão produtor dos Estados Unidos, que entra em uma fase decisiva para a produtividade das lavouras. As cotações seguem voláteis e reagem rapidamente às mudanças de temperatura.

A previsão de mais chuvas e temperaturas mais amenas no Meio-Oeste reduziu parte da pressão de alta em Chicago, mas o calor persistente nas áreas mais ao norte ainda mantém os preços em níveis elevados.

EXPORTAÇÕES
Além do clima, a forte demanda por exportação também ajuda a sustentar os preços da soja. O USDA registrou vendas importantes para a safra 2026/2027, principalmente para China e México.

Mesmo com a previsão de estoques globais em níveis confortáveis, a retomada das compras por empresas asiáticas reduz a pressão de baixa e dá suporte aos preços futuros.

CENÁRIO NO BRASIL
A alta em Chicago e a forte procura internacional por farelo de soja ajudaram na recuperação dos preços no Brasil nos últimos dias. Com isso, o mercado anulou as perdas acumuladas em 2026 e passou a negociar acima das médias de anos anteriores.

Mesmo assim, a comercialização da safra ainda está longe de terminar, mostrando que muitos produtores seguem com soja armazenada. Essa grande oferta disponível no país limita altas mais fortes no curto prazo.

Além disso, a logística continua pressionando o mercado. A disputa por caminhões e espaço nos armazéns com a safrinha de milho e as culturas de inverno dificulta o escoamento e impede que as altas cheguem rapidamente ao produtor em algumas regiões.

AVANÇO DA COLHEITA DA SAFRINHA
A entrada da safrinha é o principal fator de pressão sobre os preços do milho nesta semana. Em Mato Grosso, maior produtor do país, a colheita avançou rapidamente e já alcança 78,92% da área, segundo o IMEA.

Com mais milho chegando ao mercado, a oferta aumentou no curto prazo. Diante disso, os compradores estão mais cautelosos e reduzem o ritmo das compras, pressionando os preços nas regiões produtoras do estado.

CENÁRIO MAIOR NO BRASIL
Em outras regiões, o avanço mais lento da colheita ajuda a sustentar os preços do milho. No Centro-Sul, os trabalhos estão abaixo da média histórica, enquanto produtores de São Paulo e Paraná seguem cautelosos nas vendas por causa das incertezas com a logística.

Nos portos de Santos e Paranaguá, os preços para embarques futuros recebem apoio do câmbio e das tensões no Mar Negro. As dificuldades com a secagem e o escoamento da safrinha também continuam influenciando as oportunidades de venda nesta semana.

SAFRA AMERICANA
No mercado internacional, a atenção está voltada para o desenvolvimento da safra de milho nos Estados Unidos. Atualmente, 68% das lavouras estão em condições boas ou excelentes, o que reforça a expectativa de alta produtividade.

Mesmo assim, o milho norte-americano tende a ter pouca influência sobre os preços no Brasil, salvo em situações extremas de mercado.

🌎 MACROECONOMIA E OPORTUNIDADES

O cenário econômico desta semana é marcado pelo Boletim Focus de 20 de julho de 2026. A previsão para a inflação caiu pela terceira semana seguida, chegando a 5,15%, enquanto a Selic foi mantida em 14% ao ano e o dólar em R$ 5,20 para o fim de 2026.

No Brasil, o mercado acompanha a divulgação dos resultados das empresas no segundo trimestre, que podem trazer surpresas. No exterior, as tensões no Oriente Médio e os bombardeios no Estreito de Hormuz aumentam a busca pelo dólar e ajudam a sustentar os preços das commodities brasileiras destinadas à exportação.

Com o câmbio volátil e os desafios de armazenagem, o produtor precisa acompanhar o mercado e manter um controle rigoroso dos custos. Pela plataforma da Grão Direto, é possível consultar as cotações em tempo real, identificar boas oportunidades e fechar negócio com mais agilidade e segurança.

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