DIRETO DO CAMPO: Estados Unidos, clima e Plano Safra movimentam a semana dos grãos

RELATÓRIOS DO USDA
O mercado entra na virada do mês atento aos relatórios do USDA, que serão divulgados em 30 de junho: o de área plantada e o de estoques trimestrais.

A expectativa é saber se haverá ajuste na área de soja nos EUA e se os estoques confirmam um cenário de oferta maior, que pode depender de uma demanda forte para sustentar os preços em Chicago.

CLIMA NOS EUA
Além dos dados de área plantada, o clima nos EUA ganha ainda mais peso para o mercado. O relatório Crop Progress vai mostrar como estão as lavouras recém-emergidas no Corn Belt. Caso os mapas indiquem calor intenso ou falta de chuva no Meio-Oeste, os preços em Chicago podem ganhar prêmio de risco rapidamente.

PLANO SAFRA
No Brasil, a atenção do agro está no anúncio do Plano Safra 2026/27, previsto para 30 de junho. A CNA pede R$670 bilhões para o setor. Com a Selic em 14,50%, o ponto decisivo será o volume de recursos com juros subsidiados pelo Tesouro, que pode pesar no planejamento e na compra de insumos.

LOGÍSTICA GLOBAL
Na logística e na geopolítica, o mercado segue com sinais mistos. A trégua de 60 dias entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio temporário ao petróleo Brent.

Caso esse cessar-fogo mantenha a navegação segura no Estreito de Ormuz, o frete marítimo internacional pode recuar, ajudando a aliviar a pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros.

CHINA NO RADAR
A relação comercial entre China e Estados Unidos segue no radar. Com as tarifas entre os dois países ainda em vigor e a colheita norte-americana se aproximando em setembro, a China deve continuar dependendo fortemente das exportações brasileiras no segundo semestre.

PRESSÃO NA COLHEITA CONTINUA
Na B3 e no mercado físico, os preços devem seguir pressionados pelo avanço da colheita do milho safrinha, que deve ganhar força entre a segunda quinzena de junho e meados de julho. Em Mato Grosso, a colheita já passou de 35,5% da área, em ritmo acelerado.

Com o clima favorecendo os trabalhos no campo, a maior oferta de milho pode pressionar os preços spot para baixo, tendo a demanda interna como principal limite para essa queda.

RELATÓRIOS DO USDA
No mercado internacional, a atenção está nos relatórios de área plantada e estoques do USDA, que serão divulgados em 30 de junho. A expectativa é de uma área menor de milho nos EUA. Se o número vier abaixo do esperado, Chicago pode reagir rapidamente, com alta puxada pela cobertura de posições vendidas.

LAVOURAS EUA
O monitoramento do Crop Progress norte-americano será crítico. As mesas de operação especulativas acompanham avidamente as porcentagens de lavouras em condição “Boa e Excelente”.

Como julho marca o período crítico de polinização do milho nos EUA, eventuais bolsões de calor severo nas Grandes Planícies seriam o único gatilho capaz de injetar prêmios de risco consistentes na bolsa.

RISCOS DE GEADAS
No Brasil, o principal risco climático está na chegada de frentes polares. O Inmet alerta para madrugadas com risco de geada no sul do Paraná, em Santa Catarina e nas áreas serranas do Rio Grande do Sul. As lavouras de safrinha plantadas mais tarde nesses estados exigem atenção redobrada, pelo risco de queima por gelo.

EXPORTAÇÕES EM ALERTAS
As exportações precisam ganhar ritmo para aliviar a pressão no mercado interno. A redução nas estimativas de embarques do Brasil acende um alerta. Porém, se a trégua de 60 dias no Golfo Pérsico se mantiver, os seguros navais podem cair e baratear os fretes para o Irã, grande comprador do milho brasileiro, ajudando a movimentar os portos do Arco Norte.

DEMANDA INTERNA AQUECIDA
A demanda das usinas de etanol de milho segue sendo um apoio importante para o mercado interno. Em Mato Grosso, a produção de biocombustíveis deve crescer 16% na temporada. Com margens saudáveis, as indústrias continuam comprando milho de forma constante, ajudando a evitar quedas ainda mais fortes nos preços do Centro-Oeste.

🌎 MACROECONOMIA E OPORTUNIDADES
No cenário macroeconômico, o crédito segue mais restrito. O Copom manteve a Selic em 14,50% ao ano, diante da inflação ainda persistente, com IPCA acumulado de 4,72% em 12 meses até maio.

No câmbio, mesmo com o dólar fechando a semana em queda, a moeda segue em patamar elevado, ajudando a manter a soja brasileira competitiva e reduzindo parte do impacto das baixas em Chicago.

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