Veja o que pode movimentar o mercado de grãos esta semana 27/10/2025

 

O que esperar do mercado de Soja?
🚢 USA E CHINA: a ausência de confirmação sobre as compras chinesas de soja americana está gerando incerteza, levando os fundos a adotarem uma postura vendedora. A volatilidade do mercado pode aumentar com as reuniões comerciais entre EUA e China, agendadas para o fim de semana na Malásia.
 
Sem um acordo comercial concreto e com o clima favorável na América do Sul, a bolsa de Chicago pode ver os preços recuarem para a faixa de US$ 9,80–10,00/bu em novembro. Essa pressão baixista é reforçada pelo histórico de que, em 9 dos últimos 15 anos, os preços caíram entre outubro e novembro.

🌦️️ CLIMA: o fenômeno La Niña deve trazer impactos climáticos distintos para o Brasil, criando uma forte variabilidade regional na safra de soja. Enquanto o Sul enfrenta risco de estiagem e calor, prejudicando as lavouras, o Norte e Nordeste (MATOPIBA) podem ser beneficiados com chuvas acima da média.

No Centro-Oeste, a previsão de chuvas regulares favorece um alto potencial produtivo, mas o Sudeste pode sofrer com estresse hídrico. Embora um La Niña fraco diminua o risco climático agregado do país, a gestão do calendário de plantio será crucial para mitigar perdas regionais, especialmente entre dezembro e janeiro.

💵 CÂMBIO: a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve em outubro e dezembro está impulsionando o mercado de títulos americanos e pressionando o dólar. Essa tendência é intensificada pela paralisação do governo dos EUA, que impede a divulgação de dados econômicos cruciais, como o relatório de emprego (payroll).

Com o Fed operando “às cegas”, a incerteza sobre a política monetária americana aumenta, impactando diretamente a cotação do dólar frente ao real e, consequentemente, a formação de preços e a competitividade da soja brasileira no mercado internacional.

O que esperar do mercado de Milho?
ETANOL: o etanol de milho avança no setor bioenergético brasileiro, com custo 24% menor que o da cana-de-açúcar (R$ 1,94/l contra R$ 2,54/l, segundo o BTG Pactual). Essa vantagem deve elevar a produção para 10,2 bilhões de litros na safra 2025/26, o que representa cerca de 30% da produção nacional.

Enquanto isso, as usinas de cana reduziram em 12% a oferta de etanol, priorizando o açúcar devido à maior rentabilidade internacional. Mesmo com a queda recente da gasolina, o etanol hidratado segue valorizado em Ribeirão Preto.

As usinas de etanol de milho mantêm margens acima de R$ 1 por litro, impulsionadas pela venda do DDG, subproduto que responde por 25% da receita — reforçando a forte e crescente demanda pelo cereal brasileiro.

🌽MILHO NA CBOT E B3: sem dados da CFTC devido à paralisação do governo dos EUA, o mercado volta suas atenções ao plantio na Argentina, que alcançou 34%, 4% acima da semana anterior e uma semana à frente do ritmo de 2023, segundo a Bolsa de Buenos Aires. Desde o fim de setembro, o milho dez/25 acumula alta de US$ 0,07/bu, mantendo um histórico equilibrado — nos últimos 15 anos, o período entre outubro e novembro foi positivo em 6 anos, negativo em 8 e estável em 1.

No Brasil, o mercado interno segue lento, com compradores adquirindo apenas o necessário e produtores ainda resistentes em vender.