Veja o que pode movimentar o mercado de grãos esta semana 15/09/2025

🌦️️ CLIMA E INÍCIO DE PLANTIO: Na segunda quinzena de setembro, os modelos meteorológicos, especialmente o europeu, apontam maior volume de chuvas no centro-norte do país. Isso já permitiu o início do plantio em áreas do Matopiba e do norte do Mato Grosso, tendência que deve se intensificar nos próximos dias. Já no Centro-Oeste e no Sudeste, a estiagem persiste e pode causar leve atraso no início do plantio.

🌱 DEMANDA DA SOJA BRASILEIRA: A demanda pela soja brasileira segue firme, com a China mantendo compras mesmo diante de preços mais atrativos nos EUA. No curto prazo, porém, o cenário pode mudar: o avanço do plantio aumenta a exposição ao risco climático e de produtividade, e a safra recorde projetada para 2026, de cerca de 180 milhões de toneladas, ainda depende do clima. Qualquer incerteza pode levar a China a redirecionar parte das compras para os EUA para assegurar seu abastecimento.

🌎 RISCO GEOPOLÍTICO E MUDANÇA DE ORIGEM: Além do clima, fatores geopolíticos também influenciam as compras globais. Tensões e acordos comerciais — como eventuais pressões dos EUA para ampliar suas exportações de soja — podem acelerar a mudança de origem. Assim, o início do plantio no Brasil é decisivo para definir se a demanda seguirá concentrada aqui ou migrará parcialmente para os norte-americanos nas próximas semanas.

🪙CÂMBIO NOS PREÇOS: Nesta quarta-feira, o banco central dos EUA deve anunciar corte de 0,25 p.p. na taxa de juros, já precificado pelo mercado. A decisão pode ajustar o dólar frente a outras moedas, inclusive o real, dependendo também do tom do discurso de Jerome Powell sobre riscos globais e tensões comerciais.

O mercado de soja poderá subir essa semana, com demanda firme e início irregular do plantio do Brasil. Em contrapartida, o câmbio deve recuar e fazer contrapeso nos preços aqui no país.

🌽CONCORRÊNCIA EXTERNA E ORIGINAÇÃO: Com a colheita de milho nos EUA se aproximando, o país deve reforçar sua presença no mercado internacional, sobretudo na Ásia e na Europa, já com volumes antecipados vendidos. A Argentina também avança com exportações agressivas após quase concluir sua colheita.

No Brasil, mesmo com a segunda safra recorde, o milho não é a origem mais barata, o que limita as vendas externas. Além disso, o alto custo de originação e o ritmo lento de comercialização pelos produtores seguem dificultando as exportações.

🪙CÂMBIO E COMPETITIVIDADE INTERNACIONAL: Embora o foco esteja na soja, os mesmos fatores cambiais impactam a competitividade do milho brasileiro. A possível queda dos juros nos EUA pode manter o dólar pressionado, favorecendo exportações do Brasil, mas também aumentando a concorrência de Estados Unidos e Argentina. Um dólar mais fraco pode dificultar as vendas externas se esses países ganharem competitividade.

O milho pode recuar nesta semana, após ter fechado em alta na anterior. A pressão da oferta e a concorrência crescente devem influenciar a tendência nos próximos dias.