Veja o que pode movimentar o mercado de grãos esta semana 08/09/2025

📃RELATÓRIO DE OFERTA E DEMANDA: No dia 12, o USDA divulgará nova atualização do relatório global de oferta e demanda. O mercado espera ajustes nos estoques finais da safra devido à desaceleração nas exportações dos EUA. A produtividade pode ter leve revisão, mas a produção segue alta com o clima favorável. Esse aumento da oferta e a recuperação dos estoques tendem a pressionar as cotações, principalmente em Chicago. A demanda externa enfraquecida, sobretudo pela menor compra da China, deve intensificar a queda nos preços.

🚢DEMANDA CHINESA: A China mantém estoques elevados de soja, sustentados pelas fortes importações do Brasil e de outros países sul-americanos, garantindo abastecimento em setembro e outubro. Nos próximos meses, deve ocorrer redução desses estoques com a migração para o programa americano, ainda pouco competitivo.

Nesse cenário, a safra brasileira e a exportação sul-americana ganham importância e podem gerar oportunidades de venda. A demanda chinesa segue ligada à suinocultura: apesar do aumento dos abates em relação ao ano passado, os estoques continuam altos pela produção anterior, enquanto as margens negativas das granjas trazem incerteza sobre futuras compras de soja.

🌱INÍCIO DA SAFRA BRASILEIRA: A safra nos EUA se aproxima do fim, enquanto o Brasil inicia o plantio 2025/26, previsto para este mês no Centro-Oeste, dependendo do clima. As próximas duas semanas devem ser de tempo seco e quente. O NOAA aponta mais de 50% de chance de formação do La Niña entre setembro e novembro, atraso considerado raro. O fenômeno pode reduzir chuvas no Sul e aumentar no Centro-Norte, fator decisivo para o plantio na janela ideal. Se o clima ajudar, a produção brasileira pode superar 170 milhões de toneladas.

🪙CÂMBIO E MACROECONOMIA: Brasil e Estados Unidos seguem no centro das atenções em relação à política de juros. No Brasil, o presidente do Banco Central reforçou que a Selic deve permanecer em 15% por um período prolongado. Já nos EUA, apesar da expectativa de corte de juros na próxima reunião, cresce a preocupação com o risco institucional diante das tensões entre o presidente norte-americano e membros do Federal Reserve, o que levanta dúvidas sobre a autonomia do banco central. Esse ambiente abre espaço para valorização do real via carry trade, estratégia em que investidores aplicam recursos em países com juros mais altos, como o Brasil, mas o risco fiscal brasileiro continua sendo um limitador.

No mercado de grãos, as cotações em Chicago seguem pressionadas pela boa evolução das lavouras nos EUA, pelas estimativas do relatório de oferta e demanda e pela ausência de compras da China. No Brasil, os prêmios ainda oferecem sustentação e podem gerar oportunidades caso ocorra alguma recuperação em Chicago.

📜RELATÓRIO DE OFERTA E DEMANDA: No dia 12, o USDA divulgará a nova atualização do relatório global de oferta e demanda. Nos EUA, pode haver leve ajuste na produtividade do milho da safra 2025/26 devido às recentes instabilidades climáticas, mas a expectativa segue de produção elevada e estoques confortáveis. Para Brasil e Argentina, não são esperadas mudanças significativas. Caso os números sejam neutros, o viés baixista deve prevalecer no mercado.

🌽DEMANDA NORTE-AMERICANA: Os EUA já embarcaram quase 20 milhões de toneladas de milho nesta temporada, superando o volume do ano passado e consolidando-se como um dos exportadores mais consistentes dos últimos anos. Esse desempenho aumenta a competitividade frente ao Brasil e Argentina, ampliando a disputa por mercados na Ásia e Europa. Se o clima seguir favorável e a safra alcançar as 425 milhões de toneladas previstas, o ritmo de embarques deve continuar forte no segundo semestre. O clima segue como fator decisivo: chuvas acima da média podem atrasar a colheita, enquanto períodos secos favorecem a conclusão dos trabalhos.

🚢EXPORTAÇÕES EM DESACELERAÇÃO: Em agosto, o Brasil exportou 6,85 milhões de toneladas de milho, 13% acima de agosto de 2024. Porém, entre fevereiro e agosto, as exportações acumuladas caíram 7% frente ao mesmo período do ano anterior. No curto prazo, os preços são sustentados pela demanda interna, sobretudo de fábricas de ração e usinas de etanol.

Apesar disso, gargalos logísticos limitam os embarques, já que a soja ocupa boa parte da capacidade portuária. No mercado externo, a forte concorrência do milho americano reduz a atratividade das exportações brasileiras, levando produtores a reter parte da produção à espera de recuperação da demanda. Além disso, o alto custo de originação nas regiões centrais do país compromete a competitividade do milho no cenário global.

🌾EXPORTAÇÕES DE SORGO BRASIL-CHINA: Brasil e China avançaram em um acordo que deve agilizar a habilitação de empresas brasileiras para exportar sorgo já a partir da safra recém-colhida. A abertura desse mercado amplia as oportunidades do agronegócio, favorecendo a diversificação das exportações e aumentando a competitividade frente a outros fornecedores. No curto prazo, o impacto é limitado, mas pode ajudar a equilibrar os estoques de milho. No médio e longo prazo, tende a influenciar o plantio, estimulando a escolha do sorgo em áreas mais secas e de menor produtividade.

Enquanto isso, a demanda pelo milho brasileiro segue pressionada pela maior competitividade do produto dos EUA. Com o fim da colheita, a influência da oferta deve diminuir, abrindo espaço para melhores preços. Porém, os elevados estoques internos ainda exercem pressão sobre as cotações no curto prazo.