Veja o que pode movimentar o mercado de grãos esta semana 11/08/2025

🚢 EXPORTAÇÕES SEGUEM FIRMES: A programação de embarques de soja em agosto é a maior dos últimos cinco anos, segundo a Anec, refletindo forte demanda. Até julho, o Brasil exportou 77,23 milhões de toneladas e precisa embarcar mais 24,87 milhões até dezembro para atingir a meta de 102,1 milhões.

Com 19 semanas restantes, são necessárias 1,31 milhão de toneladas por semana; ritmo alto, mas viável, impulsionado pela preferência chinesa, enquanto a safra dos EUA não entra no mercado. Paralelamente, o milho ganha espaço nos portos, com a colheita avançando e terminais migrando para sua operação, à medida que a janela da soja se fecha.

🌱 PRÊMIOS BRASILEIROS EM ALTA: Apesar da pressão das quedas em Chicago e da valorização do real, prêmios elevados seguem sustentando o mercado da soja, impulsionando negócios, especialmente com grão da safra passada. A ausência de avanços entre EUA e China mantém a soja sul-americana em destaque e com alta demanda. Porém, esse ritmo pode enfraquecer nas próximas semanas, com a provável retomada das compras chinesas da nova safra americana.

📝 RELATÓRIO DE OFERTA E DEMANDA: No dia 12, o USDA divulgará nova atualização de oferta e demanda, com expectativa de aumento nos estoques da nova safra, reflexo da possível queda nas exportações dos EUA. A produtividade deve ser revista para cima devido às boas condições climáticas, elevando a produção.

Essa expectativa de maior oferta e estoques em recuperação deve pressionar os preços, especialmente na Bolsa de Chicago. A demanda externa mais fraca, com destaque para a redução nas compras chinesas, poderá ampliar esse movimento. 

🌎 CENÁRIO MACROECONÔMICO: As apostas de corte de juros nos EUA em setembro ganharam força após dados mais fracos do mercado de trabalho, apesar das incertezas até novos indicadores. No Brasil, o Banco Central reafirma que pode manter ou até elevar os juros se não houver segurança quanto à convergência da inflação à meta. O cenário geopolítico e as guerras tarifárias seguem no radar, aumentando a volatilidade do dólar, mas mantendo o país atrativo ao capital estrangeiro, o que pode continuar pressionando a moeda americana.

Em Chicago, os preços tendem a seguir pressionados pela boa evolução das lavouras nos EUA, pelas projeções do relatório de oferta e demanda e pela ausência da China nas compras. No Brasil, prêmios elevados podem sustentar os preços e abrir oportunidades caso haja reação positiva em Chicago.

🚢 EXPORTAÇÕES DESAFIADORAS: Até julho, o Brasil exportou 8,42 milhões de toneladas de milho, diante da meta anual de 43 milhões. Faltam 34,58 milhões para embarcar em 19 semanas, exigindo média de 1,82 milhão por semana. A recuperação do ritmo depende do avanço da colheita da segunda safra, da liberação dos portos, agora migrando para o milho, e da competitividade frente ao produto dos EUA, ainda mais atrativo.

📝 RELATÓRIO DE OFERTA E DEMANDA: No dia 12, o USDA divulgará nova atualização de oferta e demanda, com expectativa de alta na produtividade do milho 2025/26 nos EUA, indicando colheita maior e estoques finais mais elevados. Para Brasil e Argentina, não são previstas mudanças relevantes. Se a projeção subir novamente, os preços podem sofrer mais pressão, mas o consumo interno aquecido nos EUA pode limitar quedas maiores.

🌦️CENÁRIO CLIMÁTICO: Nos próximos 15 dias, as chuvas devem se concentrar nas regiões Norte e Sul do Brasil, com volumes baixos e bem distribuídos no restante do país. Nos EUA, o clima segue favorável, com chuvas abrangentes e possibilidade de volumes altos no centro-oeste de Iowa e partes de Illinois e Missouri, podendo causar alagamentos. No geral, o cenário está dentro da média histórica.

A demanda pelo milho brasileiro segue pressionada pela maior competitividade do produto dos EUA. Ainda assim, o segundo semestre costuma registrar aumento nas exportações, o que pode impulsionar a demanda e apoiar os preços internos.