Veja o que pode movimentar o mercado de grãos esta semana 14/07/2025

🚢 EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS: Em julho, o Brasil exportou 11,93 milhões de toneladas de soja, alta de 24% frente ao mesmo mês de 2024, segundo a Anec. A China seguiu como principal destino, absorvendo 76% das exportações no primeiro semestre de 2025.

A forte demanda chinesa, problemas logísticos em concorrentes e a menor competitividade da soja argentina favoreceram o produto brasileiro, reforçando o país como maior fornecedor global. Apesar do volume elevado, houve leve queda frente a junho, devido à sazonalidade pós-colheita.

🚨BRASIL X EUA: O anúncio das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gerou volatilidade nos contratos futuros da soja em Chicago, inicialmente derrubando os preços por receio de queda nas exportações e possíveis retaliações comerciais. Porém, há potencial de recuperação caso grandes compradores, como a China, ampliem compras do Brasil.

Ao mesmo tempo, a incerteza fortalece o dólar frente ao real, o que favorece exportadores brasileiros ao tornar a soja mais competitiva no mercado internacional, mas encarece insumos importados e pressiona custos de produção. Esse cenário ainda pode elevar o prêmio nos portos brasileiros, refletindo a alta da demanda internacional e ajudando a compensar possíveis quedas de preços em Chicago.

💵 DÓLAR VALORIZADO: O conflito comercial entre Brasil e Estados Unidos, agravado pelas tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, provocou forte valorização do dólar frente ao real, refletindo a aversão ao risco dos investidores e a incerteza nas relações bilaterais. A expectativa de queda nas exportações para os EUA reduz o ingresso de dólares no país, enquanto o risco de retaliações e escalada tarifária aumenta a volatilidade cambial e afasta investidores estrangeiros. Esse cenário pressiona o câmbio, encarece produtos e insumos importados e pode impactar negativamente a inflação e o crescimento econômico do Brasil.

O momento exige cautela na comercialização da soja. O mercado segue volátil, com poucos fundamentos para alta expressiva nos preços. As análises técnicas indicam tendência de baixa, com cotações podendo chegar à faixa de US$ 10,00 por bushel. Mesmo assim, fatores como o prêmio nos portos e a variação do dólar podem criar condições favoráveis para negociações pontuais, exigindo atenção redobrada dos produtores para aproveitar janelas de oportunidade.

🚢 EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS: As exportações brasileiras de milho começaram julho em ritmo lento, com apenas 120 mil toneladas embarcadas, uma queda de 80,5% em relação a 2024. O atraso na colheita da segunda safra e a menor disponibilidade de grãos explicam parte da retração e, se mantido o ritmo, julho não deve passar de 1 milhão de toneladas exportadas.

A China, antes principal compradora, está menos ativa em 2025 devido à grande safra local e à busca por autossuficiência, obrigando o Brasil a buscar novos mercados, como Irã, Egito e Vietnã, de menor potencial de compra. Apesar do cenário, há expectativa de aceleração das exportações nos próximos meses.

🌽CENÁRIO DO MILHO: O cenário do milho brasileiro em 2025 é marcado por uma safra recorde, ampliando a oferta interna e reforçando o Brasil como um dos principais exportadores globais. No entanto, o volume elevado traz desafios: a oferta abundante pressiona os preços internos, agravada por gargalos logísticos e déficit de armazenamento, que forçam produtores a vender rapidamente, muitas vezes por valores menores para evitar perdas. Por outro lado, a demanda internacional segue aquecida, com estoques globais baixos e aumento do consumo, favorecendo as exportações brasileiras no segundo semestre. Assim, a comercialização em 2025 exige atenção ao ritmo dos embarques, à movimentação dos preços e à infraestrutura logística, para aproveitar melhores oportunidades e reduzir riscos.

Com o avanço da colheita da safrinha e o aumento dos custos logísticos, somados à perspectiva favorável da safra nos EUA, o mercado tem poucos fatores que sustentem alta consistente. Porém, após as quedas recentes, também não há clareza quanto à continuidade do recuo. O cenário atual sugere estabilidade, com o mercado atento a novos fatores que possam alterar o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses.