Veja o que pode movimentar o mercado de grãos esta semana 09/06/2025

🌱 MARGENS PARA A SAFRA 2025/26: O produtor deve redobrar a atenção ao cenário da safra 2025/26. Com a colheita do milho safrinha avançando, começa o planejamento da soja em um contexto de margens apertadas. A tendência é manter ou ampliar a área plantada para diluir custos e buscar rentabilidade, mas o sucesso dessa estratégia depende do clima e da produtividade.

O cenário no curto prazo segue desafiador em regiões como Mato Grosso, norte de Goiás, Tocantins e Matopiba. Produtores com terras arrendadas já enfrentam margens negativas, o que pode desestimular o plantio — sem garantir, porém, uma reação positiva nos preços.

📢 EUA X CHINA: Os contratos de soja ganham suporte em Chicago com a possível retomada das negociações entre EUA e China. Um encontro entre Trump e Xi Jinping, previsto para esta segunda-feira, alimenta a expectativa do mercado sobre tarifas de importação.

Com demanda aberta para agosto e setembro, a China pode ampliar compras no curto prazo, caso avancem as negociações comerciais. Diante disso, Chicago ensaia uma recuperação técnica, operando em leve alta, movimento que pode se estender ao longo da semana em caso de progresso nas negociações.

💵DÓLAR: O câmbio segue reagindo às medidas fiscais do governo brasileiro, como o fim da isenção de IR para LCI/LCA e maior taxação sobre apostas, que devem ser oficializadas em breve. No exterior, a reunião entre EUA e China em Londres pode definir os rumos das tarifas de importação. Esses fatores aumentam a volatilidade e influenciam o câmbio, com impactos indiretos nos preços agrícolas no Brasil.

Nesta semana, o mercado da soja deve ser guiado por fatores externos, como as negociações entre China e EUA e a oscilação do dólar. Esses movimentos devem ditar o ritmo dos preços nos próximos dias.

🌽DEMANDA NA 2ª SAFRA: As estimativas para a segunda safra de milho seguem altas, entre 105 e 108 milhões de toneladas. Apesar da boa oferta, a demanda continua pressionada.

A indústria de proteína animal, principal compradora, ainda sente os impactos dos embargos sanitários após o caso de gripe aviária em Montenegro (RS). O Brasil mantém restrições com cerca de 40 países, mas há expectativa de liberação do Rio Grande do Sul na próxima semana, o que pode reabrir parte da demanda externa.

No mercado interno, as usinas de etanol adotam cautela. Com estoques altos e margens apertadas, compram apenas no curto prazo (“da mão para a boca”). A queda nos preços dos combustíveis, influenciada pela paridade da Petrobras e pela pressão do petróleo sobre o etanol, reduziu a competitividade do biocombustível. Isso limita o apetite das usinas e impede altas mais consistentes no preço do milho.

🚜 AVANÇO DA COLHEITA: A colheita do milho segunda safra avança no Centro-Oeste, apesar de chuvas pontuais que ainda causam atrasos localizados. A expectativa é de forte aceleração nos trabalhos nas próximas duas semanas. Com a entrada do milho no mercado, os preços já recuam em algumas regiões. No norte do Mato Grosso, há negócios abaixo de R$ 40,00 por saca, pressionados pelo aumento da oferta e desalinhamento com a paridade de exportação (PPI).

Granja do Sul e Sudeste ainda pagam acima da referência de exportação, indicando demanda firme da indústria de proteína animal. No entanto, acordos recentes entre EUA e países asiáticos — clientes tradicionais do milho brasileiro — aumentam a concorrência externa, pressionando os preços de exportação.

Mesmo com a demanda doméstica, o mercado segue pressionado. A colheita está acelerando, há grande volume de milho entrando, usinas de etanol compram pouco e a concorrência externa aumenta. O produtor deve se preparar para uma semana de preços mais baixos e instáveis, com pouca margem para recuperação no curto prazo.