Veja o que pode movimentar o mercado de grãos esta semana 19/05/2025

🌏 BRASIL SE DESTACA NAS EXPORTAÇÕES

De janeiro a abril, foram embarcadas 37,4 milhões de toneladas (+1,6% ano a ano), impulsionadas pela demanda chinesa após a guerra comercial entre China e EUA. Em abril, o país registrou o segundo maior volume já alcançado (15,3 milhões de toneladas), e as projeções para maio indicam novo recorde (16,5 milhões de toneladas). A redução da área nos EUA pode manter o protagonismo brasileiro.

🌱 SAFRA DOS EUA

Plantio de soja nos EUA avança rapidamente, alcançando 48% da área prevista até 11 de maio — +14 pontos em relação ao ano passado e +11 pontos sobre a média dos últimos cinco anos. Destaque para Iowa (64%), Nebraska (62%) e Illinois (51%). 17% das áreas já têm emergência, acima da média histórica.

Apesar do progresso, 23% da área enfrenta seca, principalmente no centro-norte do Meio-Oeste. A previsão de chuvas pode melhorar o quadro hídrico, mas também atrasar o plantio. Temperaturas abaixo da média podem desacelerar o desenvolvimento inicial, trazendo dúvidas sobre a produção, mas sem preocupações excessivas.

💵 DÓLAR EM QUEDA

Câmbio sob pressão de fatores internos e externos. Internacionalmente, a perspectiva de juros altos nos EUA e a postura comercial de Trump mantêm a volatilidade do dólar. No Brasil, as incertezas fiscais persistem, apesar das sinalizações do ministro da Fazenda sobre a meta fiscal, gerando instabilidade na moeda. Mesmo assim, o dólar pode cair abaixo de R$ 5,60.

O avanço do plantio e da emergência da soja nos EUA, junto à melhora climática em importantes regiões produtoras, gera pressão nas cotações da soja brasileira. A queda do dólar pode intensificar esse movimento.

🐓 IMPACTOS DA GRIPE AVIÁRIA

O primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial no Brasil levou à suspensão temporária das exportações de carne de frango para mercados como China, UE, Argentina, México, Chile e Uruguai. A China bloqueou as compras por 60 dias, impactando até 20% das exportações mensais.

A queda na produção de aves pode reduzir a demanda por milho, pressionando para baixo os preços de frango e ovos. Se o embargo durar cerca de dois meses, o impacto será temporário, mas uma possível disseminação da doença pode gerar efeitos mais graves e duradouros.

🌽 SAFRA DOS EUA

Até 11 de maio, 62% da área de milho nos EUA estava plantada — avanço de 22 pontos na semana, +15 pontos em relação ao ano passado e +6 pontos sobre a média dos últimos cinco anos. Destaque para Iowa (76%), Nebraska e Minnesota (acima de 73%). Cerca de 30% da área ainda enfrenta seca, principalmente no centro-norte do Corn Belt, apesar das chuvas recentes.

A previsão indica chuvas contínuas, beneficiando áreas secas, mas com risco de atraso no plantio em Missouri, Illinois e Indiana. Temperaturas abaixo da média e risco de geadas pontuais no norte não indicam danos generalizados.

📝 EUA X CHINA X BRASIL

O mercado internacional de milho segue agitado, com foco na relação entre EUA, China e Brasil. Segundo o USDA, os EUA venderam 2,75 milhões de toneladas métricas para a safra 2025/26 — maior volume em três anos, apesar da ausência de compras significativas da China, tradicional importador. Enquanto isso, a segunda safra de milho do Brasil deve crescer 11%, com a colheita ganhando ritmo.

A supersafra brasileira e a queda na demanda devido à gripe aviária podem pressionar para baixo os preços. Produtores devem monitorar o mercado para aproveitar as melhores oportunidades de venda.