Análise do Especialista 22/05/2023: o que esperar do mercado de soja e milho para esta semana

Como o mercado se comportou na última semana?

A Bolsa de Cereales realizou mais um corte na produção de soja, saindo de 22,5 milhões de toneladas para 21 milhões de toneladas.

O clima norte-americano segue muito favorável para as lavouras de soja, trazendo uma evolução de plantio acima do mesmo perído do ano anterior, e também da média dos últimos 5 anos. 

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Dólar volta a patamares de R$ 5,00. Os principais direcionadores foram a tramitação do texto do novo arcabouço fiscal no Brasil, e os desdobramentos relacionados à renegociação do teto da dívida nos Estados Unidos. 

Diante disso, o contrato de soja com vencimento em julho/23 finalizou a semana sendo cotado a U$ 13,05 o bushel (-6,05%) e o contrato com vencimento em agosto/23 encerrou a U$ 12,46 o bushel (-5,25%).

Com a queda do dólar junto às desvalorizações de Chicago, a semana para a soja fechou com maiores quedas em relação à semana anterior.

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O que esperar do mercado?

Clima brasileiro favorável à continuidade da colheita. De acordo com o Instituto Nacional de meteorologia (INMET), o Brasil poderá apresentar, na próxima semana, chuvas mais concentradas na região norte do país. Este cenário continuará favorecendo a colheita da região sul e prejudicando a conclusão do estado do Maranhão.

Clima norte-americano sem imprevistos. O clima trabalhará a favor da evolução de plantio e do desenvolvimento da oleaginosa nas regiões produtoras. Os modelos climáticos apontam para um aumento de temperatura e presença de chuvas nos próximos 6 dias na região norte do cinturão produtor. Com a aproximação do verão que se inicia no dia 21 de Junho, as temperaturas tendem a ficar mais elevadas em toda a região produtora.

Janela de plantio se encerrando. A partir de agora, as janelas ideais de plantio começam a se encerrar. Segundo Ruan Sene, analista de mercado da Grão Direto, os riscos potenciais aumentam significativamente para as safras caso ocorram chuvas abaixo da média a partir de agora.

Exportações brasileiras em ritmo acelerado. De acordo com os números apresentados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), caso seja mantida a mesma intensidade de embarques, o Brasil deverá terminar o mês de maio com volumes próximos a 16 milhões de toneladas. Há expectativas, inclusive, que supere o maior número registrado em abril de 2021, que foi de 16,1 milhões de toneladas.

A demanda chinesa pela soja americana está nos menores níveis dos últimos 5 anos. O país asiático não tem demonstrado interesse pela oleaginosa com origem nos EUA, frente a algumas políticas de redução da dependência norte-americana, e por encontrar soja com preços mais atrativos no Brasil. Esse movimento de enfraquecimento deve continuar, diante do alto volume que ainda resta para ser negociado no Brasil. 

O dólar poderá ter uma semana de alta. As incertezas em relação à tramitação do novo arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados nesta semana, somado às negociações sobre o teto da dívida nos Estados Unidos, deverão manter a moeda norte-americana em níveis altistas.

A China tem intensificado inspeções. O aumento nas inspeções dos navios de soja que chegam no país para verificar se há pragas e resíduos, pode ter dois efeitos importantes para a soja. Por um lado, a demora e o encarecimento da operação de desembarque podem elevar o preço da soja no mercado interno chinês, melhorando a margem para as indústrias esmagadoras. No entanto, isso também pode desestimular a demanda devido aos altos preços, pois a demora nas operações portuárias desestimularão a compra de grandes volumes pelas indústrias, devido ao custo adicional de desembarque. 

Diante disso, de acordo com o analista da Grão Direto, a semana poderá ser marcada por leves valorizações nas contações brasileiras.

 
Como o mercado se comportou na última semana?

O plantio de milho na safra 2023/24 nos EUA teve um avanço rápido, atingindo 26% da projeção total, conforme relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgado em 01/05. Houve um progresso de 12% durante a semana.

Exportações em queda. Em abril, o volume de exportação de milho registrado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) foi 28% menor em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Discussões sobre a renovação do acordo no Mar Negro. O mercado também acompanhou as negociações entre a Ucrânia, a Rússia e a Turquia, com intuito de renovar o acordo de exportação pelo Mar Negro, que ainda não foi efetivado.

Diante disso, as cotações de Chicago finalizaram a semana sendo cotadas a U$ 6,52 o bushel (+2,68%) para o contrato com vencimento em maio/23. Em contrapartida, o mercado físico brasileiro teve mais uma semana de desvalorização.

 

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O que esperar do mercado?

Exportações brasileiras continuarão em ritmo lento. Na segunda-feira (08/05), a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) trará os números de exportações da primeira semana de maio. Segundo o analista de mercado da Grão Direto, os números devem continuar pequenos, aguardando a chegada na segunda safra a partir de junho. Considerando os dados históricos, possivelmente o volume fechará o mês com aproximadamente 500 mil toneladas.

O mundo continuará aguardando a chegada do milho brasileiro. As vendas de milho norte-americano devem continuar fracas nesta semana. A expectativa continua muito alta em relação à produção da segunda safra de milho brasileiro, e isso vem pressionando os preços internos, atraindo muitos compradores internacionais. Além disso, a África do Sul aguarda uma ótima safra de milho, e também vem sendo opção de compra para os países, principalmente a China.

Relatório de Oferta e Demanda Mundial. Na sexta-feira (12/05), o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), divulgará novos números referentes à safra 2022/23 e os primeiros números da safra 2023/24 nos EUA. É esperada mais uma diminuição na expectativa de produção da Argentina; menor demanda de milho e, consequentemente, aumento dos estoques.

O clima no Brasil seguirá diversificado. Segundo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há previsão de chuvas para o Sul do Brasil nos próximos dias. Nas demais regiões, a previsão é de tempo seco e quente sobre o Centro-Oeste e Sudeste. A continuidade da falta de chuvas poderá prejudicar o potencial produtivo de algumas regiões, principalmente em locais que o plantio foi feito fora da janela ideal.

O clima nos EUA continuará favorecendo o plantio. Para os EUA, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), a região Norte do cinturão produtor poderá ter aumento de temperaturas, favorecendo a evolução do plantio. Já a região oeste, onde o plantio está sendo feito com solo seco, poderá receber chuvas, trazendo alívio aos produtores. A região Centro-Sul têm maior probabilidade de receber chuvas volumosas.

Proximidade do prazo limite do acordo no Mar Negro. As tensões entre a Rússia e a Ucrânia continuam altas. Houve uma reunião na última sexta-feira (05/05), porém, sem sucesso. A Rússia afirma que não estenderá o acordo (que vence em 18 de maio), caso uma lista de exigências não seja cumprida. As próximas duas semanas serão de bastante tensão em relação à renovação deste acordo, podendo provocar bastante oscilação em Chicago.

As cotações poderão ter mais uma semana de desvalorização. De acordo com Ruan Sene, a falta de novos fundamentos para o milho brasileiro provavelmente resultará em mais uma semana de leves desvalorizações.

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