Análise do Especialista 03/01/2023: perspectivas do mercado agro

Como o mercado se comportou na última semana?

A última semana do ano foi mais breve em Chicago por conta do feriado de Natal. Após o retorno, o mercado seguiu refletindo a situação climática ainda bastante desfavorável na Argentina, e a continuidade de melhora nas perspectivas de demanda da China.
Com isso, o contrato com vencimento em janeiro/2023 finalizou a sexta-feira valendo US$15,19 o bushel (+2,64%). O contrato com vencimento em março/2023 seguiu a mesma tendência, fechando a semana valendo US$15,24 o bushel (+2,56%).

Apesar do início da semana ter sido afetado pela melhora pontual do clima na Argentina, com chuvas inesperadas durante o fim de semana, isso não foi suficiente para trazer alívio ao estado de alerta que o país enfrenta.

De acordo com a Bolsa de Cereales de Buenos Aires (BCBA), o plantio da safra 2022/23 aumentou o ritmo semanal, alcançando 72,2% da área projetada contra 81,4% do mesmo período da safra passada. Além disso, as lavouras já semeadas se encontram bastante prejudicadas, com apenas 10% delas em condições boas/excelentes, contra 57% do ano anterior.

No Brasil, o plantio foi tecnicamente concluído, de acordo com Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no dia 02/01. A nível nacional, as lavouras encontravam-se em condições satisfatórias de desenvolvimento, com chuvas abrangentes e volumosas, com exceção do Rio Grande do Sul. Além disso, Ruan Sene, analista de mercado da Grão Direto, afirma que, no Mato Grosso, a colheita já foi iniciada em algumas áreas.

Por fim, a continuidade das flexibilizações das medidas sanitárias do Covid-19 na China aumentou as expectativas de uma recuperação econômica. A proximidade do feriado de “Ano Novo Chinês” fortaleceu a expectativa de aumento na demanda, apesar de aumentar o risco de infecções devido às aglomerações com as celebrações familiares.

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A moeda americana teve uma semana de muita oscilação, fechando a sexta-feira cotada a R$ 5,28 (+2,13%). O cenário interno foi o principal motivador da alta semanal, o qual a formação da equipe ministerial do novo governo apresentou nomes que não agradaram o mercado.

A possível decisão de não prorrogar a desoneração dos impostos federais sobre os combustíveis poderá trazer pressão à inflação, podendo impactar futuras decisões do Banco Central.

Com a alta de Chicago somada à alta do dólar, as cotações da soja brasileira tiveram uma semana de valorização, em relação à semana anterior.

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O que esperar do mercado?

A semana será mais curta em Chicago, por conta do feriado de Ano Novo (02/01), porém deve continuar atenta à evolução do plantio na Argentina e ao desenvolvimento das lavouras no Brasil. O clima continuará sendo observado de perto. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projeta chuvas significativas para todo o Brasil, com exceção do sul, afetando principalmente o Rio Grande do Sul.

Previsões de chuvas localizadas no cinturão produtor da Argentina, principalmente nas províncias de Córdoba e parte de Buenos Aires, poderão favorecer a continuidade do plantio. Caso essas condições se confirmem, poderá oferecer um certo alívio às pressões altistas das cotações de Chicago.

A continuidade das flexibilizações nas restrições ao Covid-19 pela China poderá ser refletida no aumento da demanda da oleaginosa, refletindo nos números de exportações americanas desta semana. Em contrapartida, o aumento de contaminações também é crescente, o que traz um pouco de cautela ao mercado.

Os fatores internos no Brasil devem continuar pressionando a cotação da moeda americana diante da evolução de movimentos políticos que afetam diretamente a economia brasileira. Sendo assim, a semana poderá ser marcada por alta no dólar. Ruan Sene, analista da Grão Direto, afirma que, caso esse cenário se confirme, a semana poderá apresentar valorizações nas cotações brasileiras, prevalecendo a alta do dólar e a melhora na expectativa de demanda da China.

Como o mercado se comportou na última semana?

A semana foi marcada pela continuidade da lentidão dos negócios no mercado interno, refletindo o conforto nos estoques adquiridos até o fim do ano. Já no cenário externo, o mercado continuou aquecido, com Chicago fechando a semana em alta, valendo US$6,78 por bushel (+1,80%).

De acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), houve um avanço semanal de 11,1% na área plantada, atingindo 62,9% dos 7,3 milhões de hectares projetados para a safra 2022/23. Apesar das chuvas dos últimos dias, a situação hídrica continuou deficitária, necessitando de novas chuvas no curto prazo para sustentar o potencial de produtividade.

Em relação à safra 2022/23 no Brasil, o plantio seguiu evoluindo, de acordo com Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Até o dia 02/01, o plantio de milho alcançou 87,3% no país. Segundo o analista da Grão Direto, a nível nacional, as lavouras estavam em condições satisfatórias de desenvolvimento, com chuvas abrangentes e bom volume, com exceção do Rio Grande do Sul, que já apresenta perdas incapazes de serem revertidas.

Em relação às exportações brasileiras, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no relatório divulgado dia 02/01, o Brasil exportou 6,4 milhões de toneladas em dezembro de 2022, superando as 3,4 milhões em dezembro de 2021. Com esse número, totalizou 43,6 milhões de toneladas, renovando o recorde de 2019, que foi de 42,8 milhões.

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O que esperar do mercado?

O clima na América do Sul vai continuar sendo um fator muito importante diante da evolução do plantio. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projeta chuvas volumosas para todo o Brasil, com exceção do Rio Grande do Sul. Previsões de chuvas localizadas no cinturão produtor da Argentina, principalmente as províncias de Córdoba e parte de Buenos Aires, poderão favorecer a continuidade do plantio.

Em relação às exportações, no próximo mês, poderá haver o início da migração de demanda para o milho americano, já que o país está com bastante estoque do grão para comercializar. Geralmente, o milho brasileiro colhido na primeira safra é direcionado para fomentar o mercado interno, o que aumenta o fluxo de comercialização internacional do cereal americano.

Novos acontecimentos referentes à redução das restrições ao Covid-19 na China, o conflito geopolítico na Ucrânia e o impacto do inverno norte-americano na cultura do trigo, poderão impactar as cotações em Chicago. De acordo com a maior plataforma de grãos da América Latina, Grão Direto, as cotações brasileiras poderão ter uma semana de valorização, em relação à semana anterior.

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