Veja o que pode movimentar o mercado de grãos esta semana 01/12/2025

O que esperar do mercado de Soja?

🚢 CHINA DEVE MANTER O RITMO DE COMPRAS: O ambiente de demanda na China apresenta sinais contraditórios para a soja brasileira. Apesar de a soja brasileira permanecer mais competitiva em preço que a norte-americana, o mercado observa estoques elevados nos portos chineses, margens negativas nas esmagadoras e uma demanda fraca por ração, fatores que podem frear importações.

Além disso, há dúvidas sobre o cumprimento dos compromissos de compra anunciados, de 12 milhões de toneladas até o fim de 2025 e 25 milhões de toneladas em 2026, levantando a questão se as aquisições recentes são sustentáveis ou majoritariamente políticas.

🌱 BRASIL ATINGIU NOVO RECORDE: As exportações brasileiras de soja em 2025 consolidam um desempenho excepcional, com um volume acumulado de janeiro a novembro superior a 104 milhões de toneladas, superando os 95,7 milhões de toneladas do mesmo período de 2024. Os embarques nas três primeiras semanas de novembro, com mais de 3,30 milhões de toneladas, também superam o volume do ano anterior, sustentando a projeção da ANEC de 4,40 milhões de toneladas para o mês inteiro.

A China, responsável por cerca de 80% das exportações até outubro, continua sendo o destino absoluto, reforçando a dependência do mercado brasileiro de um único comprador majoritário.

🌦️ CLIMA SEGUE NO CENTRO DO RADAR: O fenômeno da La Niña, com previsão de persistir até o verão de 2026, é o principal motor de volatilidade para os preços internacionais. No Brasil, o cenário é de chuvas irregulares, com o Sul sob risco de estiagem severa e o Centro-Oeste enfrentando a ameaça de veranicos, o que pode atrasar ainda mais o plantio.

A situação na Argentina é ainda mais preocupante, com forte risco de seca e previsão de ondas de calor, colocando em xeque a produção do país e contribuindo para um ambiente de incerteza na oferta sul-americana.

⚠️ ARGENTINA EM ALERTA: O plantio de soja na Argentina avança, mas permanece atrasado e sob pressão climática divergente. Cerca de 12% das áreas, especialmente no centro/oeste de Buenos Aires, enfrentam excesso de umidade, enquanto a maior parte do país se prepara para os efeitos da La Niña. Os principais riscos para as próximas semanas são a seca e o calor intenso, que podem comprometer o estabelecimento inicial das lavouras e justificam o estado de alerta no principal concorrente do Brasil.

O que esperar do mercado de Milho?

🌽PLANTO DE MILHO NA ARGENTINA: A produção argentina, projetada em 52 milhões de toneladas, está sob ameaça significativa. O plantio segue em ritmo lento, e o milho precoce entrará em sua fase crítica de desenvolvimento (dez-jan) sob risco de restrição hídrica e temperaturas extremas acima de 40°C. Este cenário de estresse climático pode comprometer o potencial produtivo do país, um importante player global, sustentando a volatilidade e os preços no mercado internacional.

🚢 EXPORTAÇÕES SEGUEM NA MÉDIA: Apesar de uma revisão para baixo, a projeção da Anec para novembro ainda é robusta, em 6,11 milhões de toneladas, o que representa um volume 24,2% acima do mesmo período de 2024. O line-up semanal (23 a 29/nov) programado em 1,67 milhão de toneladas confirma um ritmo de embarques acelerado. Esse fluxo constante de oferta brasileira para o mercado externo atua como um fator limitante para ganhos de preço mais expressivos no curto prazo.

🌧️ SAFRINHA 2026 JÁ PREOCUPA: O principal risco para a oferta brasileira reside no milho safrinha, que representa aproximadamente 75% da produção nacional. O atraso no plantio da soja empurra a semeadura do milho para fora da janela ideal, expondo as lavouras a um maior risco climático quando as chuvas perdem intensidade. Essa incerteza sobre a próxima safra é um dos pilares fundamentais que sustenta a perspectiva de valorização dos preços no mercado interno, em conjunto com uma demanda doméstica firme.